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Casal conta como foi largar tudo e ir morar na Europa

Decisões são sempre difíceis de serem tomadas, no meu caso ainda mais. Vivo pensando se deveria aceitar ou negar uma proposta, ir ou não ir pra algum lugar, comer Mcdonald’s ou Burguer King. É por esse tipo de dilema que me vejo perdido as vezes. De decisões que afetam minha vida a longo prazo a qual fast food vou comer. Acho que meu receio sempre foi o de escolher uma opção e perder a outra. Talvez seja normal, talvez não. Já aceitei.

Engraçado foi que a maior decisão da minha vida, foi tomada de forma leve. Simples, fácil, eu fui objetivo. Tão objetivo como aceitar aquela proposta de emprego que você sempre esperou. Claro, depois de um convite que não teria como ser negado. Era o maior sonho da minha vida aparecendo assim, na minha cara e aparentemente fácil.

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Foi no meio de uma viagem para o Chile (entre subidas de vulcões, trilhas na neve, chupitos e outros) que minha namorada me convidou para dar a volta ao mundo. Assim, sem mais nem menos. Do tipo, vamos dar a volta ao mundo?

Assustei, respirei, pensei (por milésimos de segundos) e simplesmente saiu de mim a óbvia resposta. Sim, vamos, claro, porque não iria?

E foi tão fácil tomar essa decisão.

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Conversamos sobre como funcionaria e sobre como se manter numa viagem dessa por tanto tempo. Não queríamos trabalhar durante anos, juntar dinheiro e apenas viajar o mundo pelas grandes capitais, conhecendo os ícones globais. Demoraria muito tempo para juntar o dinheiro necessário e queríamos mais do que isso. Queríamos viver de fato em cada país. Das menores e escondidas cidades as grandes e desejadas.

Minha namorada já tinha um passaporte italiano, enquanto eu tinha acabado de descobrir que eu também poderia fazer parte dessa grande família ítalo-brasileira. E que incrível notícia.

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Escolhemos então o caminho mais rápido (simplesmente ir), trabalhar nos lugares que achássemos adequado para fazer dinheiro e seguir viagem sempre. Descobrimos também uma plataforma chamada Helpx (www.helpx.net), mais uma dessas que todo mundo já ouviu falar sobre trabalho não remunerado em troca de hospedagem e alimentação. Mas essa realmente nos atraiu. Com opções de castelos onde você trabalha 3-4 horas por dia, hostels, fazendas…
Sabíamos das consequências desse plano ousado. Consequências essas que vão de deixar amigos e família por tempo indeterminado à perrengues em lugares inóspitos e até mesmo nas grandes cidades. Eu sabia que largaria a camisa de reuniões para colocar o avental. Que do computador eu iria para a bucha. Que do trabalho confortável em uma cadeira de escritório, veria acumular pilhas de pratos para lavar em uma cozinha, bandeja de copos e pratos para servir em um salão.

Mas era exatamente isso que a gente queria.

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Estava tudo certo então. Com o passaporte nós dois poderíamos trabalhar legalmente pela Europa, que serviria de base para juntar dinheiro sempre e viajar mundo afora.
Daquela viagem ao Chile que decidimos viajar o mundo até o dia do voo para o primeiro destino da jornada, tivemos 7 meses de pura expectativa. Daquela que você conta horas, minutos, segundos, todos os dias.

Chegamos em Dublin no dia 14 de abril, e que frio que estava aqui. Foi difícil de acostumar no começo, ficamos em choque com o preço das coisas (que lugar caro!) e tínhamos ouvido de muitas pessoas que apanharíamos muito para conseguir emprego. O cenário não era muito favorável. Tínhamos pouquíssimo dinheiro então tivemos que reduzir ao máximo os custos, viver de água e pão por alguns dias.

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Mas foram poucos dias. Chegamos realmente com vontade de fazer acontecer e de trabalhar onde quer que fosse. Não saímos para conhecer a cidade ou viver como turista por alguns dias. Saímos distribuindo currículos que nem loucos. E funcionou. No nosso 4º dia aqui eu consegui um emprego em um restaurante e ela em um pub.

Muito aconteceu desde então. Suei (e muito) no restaurante, lavei muitos pratos, aprendi a cortar legumes, fazer molhos, limpar, limpar e limpar. Era engraçado parar pra pensar as vezes onde eu estava, o que estava fazendo. É realmente muito doido isso. Mas faz a gente se sentir bem demais. Vivo, sabe!?

Aconteceu também, uma escorregada na publicidade aqui de Dublin. Não resisti. Conheci a pessoa certa, que gostou de mim e logo me colocou pra trabalhar aqui na Publicis Dublin como planejador. Cá estou agora, escrevendo da minha mesa, de camisa e uma xícara de café, vendo os preparativos para a festa de verão que acontecerá em algumas horas. Voltei, por pouco tempo. Mas isso é história para uma outra hora.

Nosso próximo passo será daqui um mês, onde vamos para a Itália ficar em uma cidadezinha chamada Lucca, na Toscana, para trabalhar em um B&B por algumas semanas. O que acontece depois, ainda não sabemos. E isso é simplesmente incrível.

Queríamos um roteiro que não tivesse roteiro definido. E é exatamente isso que temos. Espero experimentar muitas coisas mais e dividir sempre.

Eu escolhi água ao invés de vinho, migalha ao invés de pão, o mundo no lugar da minha casa. E foi a melhor e mais fácil decisão que tomei na minha vida até agora.

Por Arthur Lange
Fonte: Catraca Livre

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